26 de nov. de 2005

A que ponto...


Ahh!

A mocinha fala toda empolga:
- A-r-t-i-s-t-a!
- É mesmo?
- Sou back vocal.
- O que é isso ?
- Artista, sua burra. Cantora.
- Cantora?
- Ã hã!
- Canta um pouquinho, então.
- Precisa ter um clima, você sabe como é?
- Canta vai....
- Não vai dar, mas vou te contar um segredo.
- O que?
- Sabe o "Ahh" do Kolynos?
- Do comercial?
- É. Fui eu quem fiz: Ahh! Viu?
- Cantora... Ah, tá.

25 de nov. de 2005

A Televisão Me Deixou Burro Demais

BOLINHA
Olha, a minha paciência realmente tem limites. Putz grila! Tava conversando com uns amigos hoje e quando falei do Clube do Bolinha, ninguém se lembrava. Dá pra acreditar numa injustiça dessas?
Edson Cury, o Bolinha, foi um dos maiores apresentadores da televisão brasileira de todos os tempos. O cara conduziu por mais de 30 anos. Vou repetir bem alto, TRINTA ANOS, um programa de auditório que rivalisou com o programa do Chacrinha - Tudo bem, o Velho Guerreiro era imbátivel -, isso ainda não é para qualquer Faustão ou Gugu.
O sujeito foi, à sua maneira, um revolucionário. A venda de produtos em chamadas do apresentador, isso que todo mundo faz hoje em tudo quanto é programa chifrin, o Bolinha já fazia e na vanguarda, o cara vendia supositório para prisão de ventre ou hemorroidas, sei lá (dentre outras tranqueiras como as Pirulas de Lussen, que sabe Deus para que servem), antes que qualquer um tivesse peito, ou bunda para falar de peido na televisão.
Jurados, tinha no Bolinha!
Mulheres de Maiô, tinha no Bolinha! Tinha uma bolete que não sorria. Dá para acreditar. Uma dançarina de programa de auditório que não sorri. E pior, o charme da moça era esse. O Bolinha chamava a criatura para frente, em destaque, e ela dava uns passos de dança, ou seja lá o que fosse, com a cara mais fechada do mundo. A mulher chupava limão com sal. Sucesso garantido.
Calouros, os melhores do Brasil, tinha no Bolinha!
E quando ele parava tudo e se dirigia para câmera. Perguntava, com a maior cara de pau: Você tem prisão de ventre? Tome IMESCARD. Enquanto uma das moças segurava a caixa de supositórios, à altura do rosto, em um sorriso, em close. O produto vendia. Duvido que bolete o usasse com aquele sorriso.
Todo sábado à tarde tinha:
"Bolinha, Bolinha! Está na hora de você entrar na linha.
Cantando bem, você ganha os parabéns,
Cantando mal, vá cantar no seu quintal.
Bol, bol, bol, Bolinha! Está na hora de você entrar na linha...."
Essa é a letra da música de abertura do programa. Uma perola de mal gosto poético.
Para não esquecer, Bolinha começou na Televisão como comentarista de "lutas" de telecatch. Em 1967, na TV Excelsior, passou a comandar um programa de auditório substituindo o Velho Guerreiro, que deixara a emissora. O programa mudou de canal, foi para a Bandeirantes e lá ficou até 1992. Depois, houve incursões esporádicas até a morte do apresentador, em 1º de julho de 1998.
O mais lastimável é que a TV não rendeu a Bolinha as devidas homenagens. Como muitos outros homens e mulheres que ajudaram a construir a industria da televisão no Brasil, Bolinha também foi facilmente esquecido. Sua morte pouco repercutiu e hoje, pode-se contar nos dedos quem, com menos de 25 anos, sabe quem foi Edson Cury.

23 de nov. de 2005

A Televisão Me Deixou Burro Demais (Mulheres 1)

Catherine Bach?
Falando assim você não lembra, não é mesmo?
E seu eu disser que ela estava sempre de shortinho jeans, que adorava o General Lee, que era o sonho do Sheriff e dos demais homens da lei, que era sobrinha de um fabricante de bebidas ilegais, que trabalhou de garçonete e até cantava... Ainda não lebrou?
Pois é, tem gente que acha que as gostosonas surgiram com a Beyonce, Britney Spear ou a Mariah Carey. Para essas pessoas não dá realmente para lembrar da linda Catherine Bach dirigindo um Dodge Charger vermelho, com a bandeira confederada pintada no teto.
A moça era tudo de bom. Entrava e saia do carro pela janela (o carro tinha as portas soldadas) com seus shortinhos de matar qualquer um.
A gente chegava da aula e já ia para frente da tv, para a Sessão Aventura, ver Os Gatões (Duke's Hazzard). Pena que ela não aparecia em todos os epsódios.
Era a Dayse. Acho que ninguém nunca se preocupou em saber que o nome da atriz era Catherine Bach. Dayse Duke estava muito bom.

22 de nov. de 2005

A que ponto....

Se você ainda se sente menor diante dos arrogantes argentinos, se é um cara que não gosta de futebol ou de mulher e por isso desconhece a nossa superioridade.
Bom, se você é um apreciador de cerveja, ainda tem salvação. Olha o que os argentinos acham que desce redondo....

Polis (Imagens e Palavras)

Para quem precisa de provas da eficiência do regime cubano. A foto abaixo comprova, sem sombra de dúvida que a vida em Cuba é muito boa e abundante.

Para quem não conhece ou não gosta, esta é Vida Guerra, a mais importante modelo cubana nos EUA e a prova de que o regime de Fidel é muito abundante.

A que ponto....


Tá legal. Você não gosta de balas. Não gosta nem de doces.... Detesta a prossição de vendedores no semáforo.... Mas, da bala chita você não escapa.
Bala Chita é um clássico.
Os bonitões da bala chita que o digam. O negócio atravessou gerações, nunca mudou a embalagem, nunca teve o sabor alterado, sempre o mesmo, sempre o tradicional.
Jamais se tornará um produto sofisticado, um daqueles cuja marca vira sinônimo de qualidade ou referência da substância, como o leite moça ou o bombril. A bala chita não, a bala chita é humilde, não está nas melhores casas do ramo. Chupar bala chita é vulgar, tem gente que faz escondido, que nega, que diz que nunca chupou, que nem gosta de doce. Tudo mentira, todo mundo já teve um pedaço da bala da maquinha grudado nos dentes, por que ela gruda.
Bala chita é a macaquinha rainha do semáforo com todas as honras e xingamentos também, porque é foda, quando os caras viram o retrovisor ao jogar uma discreta touceira amarela de bala chita sobre ele. Mas, pior que ter que ajustar o retrovisor é ter que comprar disfaçadamente. Porque gente elegante não chupa bala chita.

2 de nov. de 2005

No Escurinho do Cinema

Se quiser ser sugestivo, leve sua primeira namorada para ver Cobra
Olha o perfil da Criatura:
Nome Completo: Marion Cobretti (Fala sério, isso é nome de homem?)
Pseudônimo: (Com um nome desses, tinha que ter alcunha.) Cobra (No caso, não ajudou muito).
Cargo: Tenente de Polícia (Agora imagina o pessoal na delegacia chamando o cara. - Tenente Cobretti! Ou então, - Você viu Cobra por aí?)
Armas: 357 metralhadora ligeira com mira lazer, uma Colt 45.
Comida preferida: Carne Crua (Incluída a Brigitte Nielsen)
Peculiaridades: Óculos negros espelhados, um fósforo na boca, corta pizzas com um facão... (Um amor de pessoa.)
Perfil psicológico e político: Facista, racista, itolerante. De frases lapidares e um peculiar senso de justiça primitivo. (O próprio homem das carvernas.)
Em 1986, John P. Cosmatos dirigiu Sylvester Stallone e Brigitte Nielsen nessa maravilha cinematográfica que conta como são poucas as chances das forças do crime se perpetuar na presensa do diplomático Tenente Cobretti.
O lindinho assume a custódia da modelo loira, compridona e sueca, Brigitte Nielsen que, sabe Deus porque, está sendo perseguida por uma gangue de motoqueiros.
A história é a de sempre e depois de muita carnificina, sem que se explique porque os bandidos são tão ruins de pontaria e ainda escolhem essa profissão (desde o Rambo era assim).
O mocinho e a mocinha montam na moto e pegam a estrada em direção ao por do sol. Tudo muito original, não é mesmo?
Esse humilde escrevinhador levou a primeira namorada para assistir essa obra prima no Cine Brasil, com direito a fatia de pizza no Center Pizza da Afonso Pena e românticas viagens de ônibus. É claro que, apesar do nome sugestivo da película, não rolou nada, nem beijinho, a não ser no final, na porta da casa da moça, quando ela tomou uma atitude do tipo "cala boca e beija, seu otário".
Mas, tem clima para romance, sem dúvida: O Cobra + Cine Brasil e seus educados freqüentadores + fatia de pizza requentada do Center Pizza + um idiota que acha que entende de cinema + viagem em ônibus vermelho = Romance.
Pergunta se ela quis voltar ao cinema comigo.

27 de out. de 2005

No Escurinho do Cinema

A Nova Mitologia Pop

Uma pequena regressão, por favor.... A imagem começa a ficar desfocada e quando torna-se nítida novamente, nos deparamos com uma página colorida de uma revista em quadrinhos da década de 20 do século passado...
Esse não parece ser um início promissor para um artigo sobre cinema, ainda mais sobre A Nova Mitologia Pop, como diz o título, mas já justifico.
A nova mitologia pop são os bons e velhos super heróis que tomaram de assalto as salas de cinema do mundo inteiro, com maior intensidade desde meados dos anos 80 ou fim dos loucos anos 70. Porém, antes disso a vida pregressa dos homens de capas e ceroulas teve, e ainda tem, uma longa trajetória de papel e tinta.
O marco da carreira cinematográfica dos heróis de quadrinhos é o primeiro Batman de Tim Burton ou o Superman de Richard Donner. Não que não tenha havido incursões anteriores, mas essa, demarcada por esses dois filmes, criou uma nova moda que se auto-sustentou até nossos dias. Esse marco inicial é providencial, já que, nesse momento, temos que tomar o Batman Begins de Christopher Nolan como marco final e a comparação será inevitável.
Os elementos culturais atualizados no moderno super herói são os mesmos dos antigos heróis gregos. O sofrimento voluntário, a renúncia, a entrega e enfim, o amor ao próximo. O herói é, desde a antiguidade clássica, definido como alguém que gasta sua vida em feitos em prol de outros menos capazes ou injustiçados ou, em missões que lhe são impostas por forças além do seu controle. Também como os antigos, os heróis modernos são humanos: erram, mentem, enganam a si e aos outros e, talvez esse conteúdo faústico seja o mais saliente desta mitologia para os modernos expectadores e leitores.
Podemos dizer que as histórias em quadrinhos são o lar dos heróis modernos, não só deles, por que há um sem número de gêneros de quadrinhos que vão além do universo dos super heróis. Mas, o super herói moderno é dos quadrinhos por excelência e algumas peculiaridades dessa forma narrativa, com o tempo, tornaram-se indissociáveis do herói e ele delas.
O primeiro herói dos quadrinhos, nos moldes que conhecemos, foi o Tarzan de Edgar Rice Burroughs que foi convertido ao formato quadrinhos, já que é um original romance literário. O primeiro romance do personagem de Burroughs, Tarzan dos Macacos (Tarzan of the Apes), foi publicado em 1914 e contava a fascinante história de John Clayton III, o Lord Greystoke que, em decorrência de um naufrágio, quando ainda era recém-nascido, fica órfão na costa africana, sendo em seguida criado por uma família de gorilas. Os problemas de Tarzan - nome gorila recebido por Greystoke e que significa Pele Branca - iniciam-se quando ele tem contato com europeus, até então ele acreditava ser um gorila, talvez um pouco diferente dos outros, quem sabe só com alguns probleminhas de pele.
A obra de Burroughs tem sido alvo de todo o tipo de interpretação ao longo dos anos, havendo aqueles, mais fanáticos, que chegam a procurar e atribuir uma conotação política a Tarzan, dizendo que trata-se de uma metáfora para o poder colonial europeu na África. Particularmente, defendo que os conteúdos ideológicos-políticos são pouco desenvolvidos e quase irrelevantes para o autor, que não se empenha intencionalmente em expressa-los. Pode-se dizer, desse ponto vista, que Burroughs esboça uma crítica à civilização industrial, mas isso também é uma referência indireta que só é exposta frontalmente em desenvolvimentos futuros da obra, quando Tarzan acaba indo à Europa e não se adapta à vida "civilizada". A mais proveitosa leitura de Tarzan tem como elementos principais a aventura e o heroísmo.
Essa fabulosa saga não tardaria a ganhar, em 1929, uma perspectiva visual através dos quadrinhos inaugurando a era dos heróis nesse meio, inicialmente em tiras de jornais diários, as famosas comics - nome que decorre do fato de explorarem principalmente o elemento humorístico, apesar de não ser esse o caso de Tarzan - e depois em revistas próprias desvinculadas das publicações noticiosas.
Entretanto, apesar de ter habilidades notáveis oriundas de sua "educação símea" e de ser um herói com todos os elementos aludidos, Tarzan não é um super homem. Falta ao rei das selvas os poderes extraordinários ou super que nos anos vindouros tornar-se-iam o distintivo de um gênero de quadrinhos.
Apesar disso ou exatamente por isso, Tarzan ganhou uma série de adaptações para o cinema que até antecederam sua adaptação para os quadrinhos. Já em 1917, Elmo Lincoln interpretava na telona o Homem Macaco. Recentemente, são dignas de nota a adaptação de Hugh Hudson, Greystoke - A Lenda de Tarzan, O Rei da Selva, de 1984, com Christopher Lambert no papel título e, a ótima animação dos Estúdios Disney, Tarzan, de 1999, dirigida por Chris Buck e Kevin Lima.
Os super poderes são introduzidos como característica marcante do herói apartir de modelos como o Super Homem que estreia em junho de 1938, na revista Action Comics #1, criado por Jerome (Jerry) Siegel e Joseph (Joe) Shuster para a editora Detective Comics, a DC. O herói é um alienígena cujos os poderes decorrem da interação de seu singular organismo com o meio-ambiente terrestre, ou seja, a energia do sol amarelo da terra é acumulada no corpo do sujeito que funciona como uma bateria solar e abastece suas fantásticas capacidades. Os poderes do Super Homem são realmente extraordinários e incluem invulnerabilidade, força física colossal, vôo e diversos tipos de habilidades visuais como visão de calor e raios-x. Tais poderes representaram em inúmeras ocasiões enormes dificuldades para o realismo das histórias, mesmo nos quadrinhos. Sempre foi muito difícil lidar, por exemplo, com uma criança que tinha super força ou com o fato de ter que encontrar vilões à altura para confrotar o herói.
Também há quem faça interpretações políticas para a mitologia do Super Homem dizendo que o herói é sionista, uma vez que seus criadores eram judeus, nos primeiros anos os inimigos mais comuns do herói eram os nazistas, os nomes Kryptonianos, como Kal-El e Jor-El, soam como nomes hebraicos, a trajetória e personalidade do herói é inegavelmente messiânica, etc.
Super Homem e seus congêneres da DC reinaram supremos até a década de 60, quando uma nova geração de criadores como Stan Lee, Jack Kirby e Stive Ditko criam um novo panteão de heróis para a Marvel Comics. O Quarteto Fantástico, Homem Aranha, Incrível Hulk, X-men e outros heróis marvel tinha aventuras nas quais suas habilidades e atos extraordinários eram compensados por aspectos humanos de suas personalidades e vidas cotidianas e até tomados como maldições, uma clara alusão faústica do arquétipo do herói.
O sucesso dos heróis marvel que facilmente se identificavam com seus leitores, jovens e adolescentes que acabavam vendo nas "vidas privadas" dos heróis paralelos com suas próprias vidas, levou a DC ao contra-ataque.
A tradicional Detective Comics tratou de humanizar seus personagens e até mesmo simplificou seu panteão que havia desenvolvido todo o tipo de confusão cronológica e lógica que você puder imaginar como decorrência de mais de trinta anos de histórias e da aquisição de personagens de editoras menores que foram incorporadas o que dificultava o ingresso de novos leitores, que acabavam indo para o fascinante novo mundo da Marvel. Assim, em meados dos anos 80, a DC lançou a Crise nas Infinitas Terras, de Marv Wolfman e George Perez e, esse evento que tratou de viabilizar um competidor dígno para a Casa das Idéias.
A permantente dicotomia entre o heroísmo com e sem super poderes talvez tenha sido uma das características norteadoras das escolhas dos produtores cinematográficos, uma vez que os filmes com super heróis só passaram a ser mais abundantes a partir da década de 70. Tal escolha é facilmente justificável quando se colocam as dificuldades técnicas para executar de modo realista o vôo do Super Homem, por exemplo. Há outras dificuldades, digamos de cunho estético, que também contribuiram para isso. Os heróis das histórias em quadrinhos sempre pareceram muito infantis com seus uniformes espalhafatosos, vilões megalomaníacos, identidades e esconderijos secretos e tudo o mais. Houve muita resistência por parte do público adulto em aceitar aventuras quase irreais dos super heróis no cinema.
Há algumas explicações para a recente aceitação que o público adulto vem dedicando aos super heróis no cinema.
Inicialmente, adaptações como o Batman (seriado de tv e filmes da década de 60) estrelado por Adam West, juntaram os compontes irreais dos quadrinhos, como os vilões malucos e a psicodelia própria da época, em uma autocomisseração do herói que substutiu a aventura pelo humor e a autocrítica jocosa. Essa iniciativa suavisou, por assim dizer, algumas das características menos palatáveis do universo HQ, que passaram a ser motivo de riso dos telespectadores. Uma seqüência de adaptações para a tv e também animações inundou o mundo infatil nos anos 70 e 80 e criou uma geração bastante disposta a aceitar as incoerências e incongruências dos super heróis. A esse movimento da audiência, juntou-se o movimento da autoria que nos anos 80 contou com nomes como Alan "Watchmen" Moore e Frank "Dark Knight" Miller, autores que remodelaram o universo dos super heróis, dando uma roupagem adulta ao tema e novamente, como fizeram duas décadas antes os criadores da Marvel, desviando o foco das extraordinárias habilidades desses seres, para concentra-lo no seu lado humano e nos dramas psicológicos da vida cotidiana dos homens que se fantaziam para combater os criminosos. De uma vez, o trabalho desses autores concorreu para dar aos quadrinhos o status de narrativa literária séria e a geração que passara a infância vivenciando as estórias nas revistas começou a querer ver seus ídolos em carne e osso no cinema.
Desde então as produções vêem se sucedendo e o público, cada vez mais adulto e mais sofisticado, alterou o parámetro da crítica.
Uma geração que cresceu lendo as histórias em quadrinhos preocupa-se com o quão fiel é a adaptação cinematográfica ao universo original do personagem e, aí as diferenças entre os dois meios tornam-se evidentes.
Heróis sem ou com poucos super poderes têm se dado melhor com adaptações mais realistas e próximas ao meio quadrinístico, outros contam com a notável evolução dos meios e das técnicas de geração e manipulação digital de imagens para representar suas habilidades de modo realista.
A recente seqüência dos X-men e do Homem Aranha, respetivamente dirigidas por Bryan Singer e Sam Raimi são exemplares no que diz respeito à fidelidade aos conceitos desenvolvidos nos quadrinhos. O já classico Batman passou por várias adaptações, o já citado Batman de Tim Burton, o Batman - O Retorno também de Burton, o Batman - Eternamente de Joel "argh!" Schumacher, cujo visual lembrou a série de tv da década de 60 e o resultado junto ao público também, e o recente Batman Begins de Christopher Nolan, uma clara tentativa de aproximar a identidade do herói nos quadrinhos com sua representação cinematográfica.
Uma vez que a discrepância entre quadrinhos e cinema parece ser o segredo do sucesso ou a chave do fracaço para os recentes filmes de super heróis, cabe algumas observações tomando como exemplos os filmes do Cavaleiro das Trevas.
Em 1989, quando Tim Burton lançou o seu primeiro Batman, o impacto de Batman: O Cavaleiro das Trevas (Batman: The Dark Knight Returns) de Frank Miller, de 1987, ainda fazia sombra à qualquer adaptação do morcegão e a obra do Tim "esquisitão" Burton foi saldada como dígna do impacto punk causado por Miller na vida de Bruce Wayne. Hoje, dezoito anos depois, é certo que essa impressão de afinidade diluiu-se e é possível afirmar que se deveu a uma afinidade estética entre Burton e Miller e não a uma tentativa da primeiro de incorporar na trajetória cinematográfica do herói os traços desenvolvidos por Miller nos quadrinhos.
A maior prova disso é que o Batman Begins de Christopher Nolan também foi saldado como uma fiel adaptação daquelas características imprimidas ao Cavaleiro das Trevas nas histórias em quadrinhos de Miller, (inclui-se nesses admiradores do trabalho de Nolan, o próprio Miller, que deu declarações de aprovação ao filme) mas quem vê o filme mais atentamente e, após a experiência de Burton, pode dizer, com certeza, que no cinema ainda não chegou a vez do Wayne carrancudo, anarquista e solitário.
A começar pelo uniforme que os diretores insistem em modificar em relação a concepção quadrinística, o filme de Nolan, que é um bom filme, comete alguns pecados que são imperdoáveis para os verdadeiros fãs de quadrinhos, o vilão, Rãs al Grull, diverge muito de seu par - criado por Dennis O'Neal - dos quadrinhos, no sentido de ser mais megalomaníaco no cinema e não ter o apelo redentor que tem nos quadrinhos, onde se apresenta como uma espécie de reformador social. O mascarado também está mais suave e até dá presentes para um pequeno fã, enquanto escala uma parede, num comportamento típico da jocosa série de tv, na qual o morcego fazia gracinhas com os moradores que davam as caras na janela - alguns famosos decadentes em busca de "ibope"- para cumprimentar o herói.
Há também o par romântico - a sem graça Katie Holmes - imposto à trama para agradar platéias femininas ou para dissipar suspeitas homosexuais que ainda pairam sobre as pontudas orelhas do vigador de Gothan. Ainda estamos por descobrir por que os produtores consideram as fãs tão ingênuas e melosas ou por que se esforçam por desmentir algo óbvio - não é o que você está pensando. Um cara como Bruce Wayne, com a personalidade em frangalhos, não pode viver romances adocicados, ele está mais próximo de tórridas e doentias paixões com, por exemplo, a Mulher Gato e, isso sim atrairia fãs e seria mais coerente do que um romance intantil com a filha da empregada.
Assim seguem as adaptações cinematográficas. Nesse momento, o diretor Bryan Singer dedica-se à finalização do novo filme do Homem de Aço e as promessas de fidelidade aos quadrinhos se repetem. Bryan já nos presenteou com os excelentes X-men e X-men II que são fieis, dentro do respeito às regras de transposição de uma forma narrativa à outra, à melhor fase dos filhos do átomo, quando Chris Claremont e John Byrne levaram as vendas à estratósfera e os fãs, ainda hoje, sentem saudades. Resta-nos esperar para ver o quão digna será a nova aventura de Superman.

23 de out. de 2005

Polis - Érico Veríssimo

O Senhor Érico Veríssimo nos presenteou neste 23 de Outubro com uma bela contradição.
Afirma ele que o Brasil perdeu uma grande oportunidade de, pelo o que entendi, dar um passo civilizado na história da humanidade, quando votou NÃO no referendo sobre o comércio de armas. Mas há mais, o escritor também diz que a má formulação da pergunta contribuiu para o resultado do referendo e que se o questionamento fosse feito de forma clara e direta, o resultado seria outro. Não satisfeito, foi além, quando denunciou a imprensa como um elemento articulador do resultado.
Quero lembrar o Senhor Veríssimo de algumas verdades democráticas. Hoje, dia 23 de Outubro, a opinião do articulista só valeu um voto, assim como a minha. Se ele tem tamanha descrença sobre as capacidades intelectuais dos outros eleitores - para mim ficou claro que não pairam suspeitas sobre as dele -, seu discernimento, está muito bem acompanhado, deixo a ele o trabalho de consultar a história para nomear seus pares. Esse Senhor também esqueceu que exerce, ao escrever n'O Globo, o ofício de jornalista e não deve ser dos melhores, uma vez que suas opiniões reacionárias, e não ignorantes como ele qualifica aqueles que dele divergem, têm sido sucessivamente vencidas, um dia pela história - como no caso do apoio ao atual presidente - outro dia pela sabia, sempre sabia - até quando escolhe um apedeuta presidente da república - decisão dos eleitores.

10 de out. de 2005

In Memoriun

A Bicicleta e o Dia da Criança

Durante muito tempo, na manhã do dia doze de outubro os meninos saiam de casa, as meninas também, e as ruas ficavam cheias e, o grande barato era mostrar os presentes. Isso também acontecia no natal, mas hoje vamos falar do dia da criança.
O grande presente, grande mesmo, era a bicicleta. Alguns, a exemplo de uma propaganda que passava na televisão, pregavam lembretes pela casa toda "não esqueça a minha caloi". Era uma festa da publicidade nacional.
Hoje as bicicletas são compradas em lojas especializadas e muitas são feitas em pequenas fábricas especializadas, com materiais da era especial, bicicletas especializadas, destinadas a isso e aquilo, tudo especializado e artificial. Mas, naquela época não, a gente metia a mão na graxa mesmo. Manda um desses kids pasteurizados abrir uma catraca pra ver, esses meninos entende é de apertar botão. Máximo de especialização que havia era optar por uma Caloi Berlineta ou uma Monark Monareta e isso era uma escolha das mais difíceis. Esse negócio de especialização começou com a BMX da Monark e a Caloi 10, mas essa é outra história.

A Berlineta era um charme, uma paixão, toda bonitinha, sem nenhum ângulo reto, mas a Monareta, na hora de ajustar a altura do guidão ou do banco, era pura praticidade.
Eu preferia a Berlineta, tive uma verdinha como a da foto. Dane-se a praticidade, sempre gostei de beleza, se gostasse de praticidade casava com uma vaca, se é que me entendem? Mas, que dava um trabalhão ajustar o guidão, ah isso dava. Primeiro tinha que ter chave de boca, depois tinha que ajustar um lado de cada vez e tinha que ficar cetinho. Quantas vezes não vi nêgo andando com a bicleta toda tronxa. Tinha gente que chamava até o pai.
O disign das duas bicicletas, apesar das diferenças, tinha alguns méritos e deméritos comuns. O primeiro mérito é que elas foram feitas para crianças (ou seres de pernas curtas), para os cavalões tinha a Barra Forte da Caloi e a Barra Circular da Monark, nessas dava até para levar a gatinha no quadro, no caso da Barra Forte o quadro era acolchoado, o que nos leva de volta aos méritos hergométricos de nossas duas princesinhas e ao problema da Caloi Ceci, que não vou tratar aqui, mas que cabe perguntar porque bicicleta de mulher tem que ter quadro baixo. Além de servir de banco para as gatinhas - para você ver até que ponto as mulheres são capazes de descer ou subir, depende do ponto de vista ou do gosto -, o acolchoado do quadro da Barra Forte também servia como protetor do material genético do ciclista.
Eis a grande sacada dos engenheiros da Caloi. Outro dia o The New York Times publicou que a prática do ciclismo causa impotência, a Caloi sabia disso desde a década de 1970.
Tive um amigo, que se chamava Rodolfo, mas que entrou para história como Rodolfo Velho (era loirinho, cabelo quase branco) Ovão, por motivos óbvios. O sujeito tinha uma Monareta, mas gostava mesmo era de andar na Barra Circular do irmão mais velho e usava os meios-fios (nunca sei como se escreve isso, me perdoem) para parar e descer, numa dessas o pezinho escorregou do meio-fio e lourinho ficou alcunhado, digo aleijado.
Essa, sem dúvida, era uma qualidade a se exaltar, como eu disse, no disign das duas bicicletas.
E o defeito?
Em nenhum dos dois projetos houve preocupação com o carona. O acento do carona fica abaixo da posição do piloto. Primeiro que era muito baixo, pra andar tinha quer ser anão, pelo menos da cintura para baixo, se não os pés arrastavam e, segundo, que em caso de flatulência do condutor. Aí, vigi maria....
Mas, essa era uma desvantagem relativa dessas duas perólas da engenharia nacional. O condutor também podia ser condutora. Aí, vigi maria...

5 de out. de 2005

A que ponto....

Os Dez Mandamentos

Queria inaugurar essa sessão de grandes constatações e reflexões inúteis com uma profunda abordagem de um dos dez mandamentos:
"Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente aquele que tomar o seu nome em vão". Êxodo 20.7.
Esse mandamento em particular, sempre me intrigou. Quem julga se eu tomei ou não o nome do Senhor em vão?
A Bíblia está repleta de passagens onde somos levados a acreditar que tudo que pedirmos com fé, conseguiremos. Então, o que é um pedido vão.
Deus desencrava a minha unha... Isso é um pedido vão? E um carro novo? E a cura do câncer? Ah! Cansei, não dá para saber o que é um pedido vão. Depois tem gente que fala quer ser indiano é que é difícil.
Acho que tem um jeito de saber. Se eu pedir para desencravar minha unha e o milagre acontecer, aí é um pedido vão. Gastei um milagre á toa. Poderia ter pedido para ganhar na mega sena. Então cuidado com o que você pede, pode ser que você consiga.

22 de set. de 2005

No Escurinho do Cinema (Segredos e Mistérios)

Os segredos e sustos

Invariavelmente ele atravessava uma cena no meio dos seus filmes. Essa é uma das melhores coisas sobre os filmes de Alfred Hitchcock. Esperar o momento em que o gordinho careca aparece.
A outra coisa interessante sobre esse inglês excêntrico, para dizer o mínimo, é que sua obra tornou-se sinônimo de um gênero cinematográfico, o suspense. Então, o grande lance é tentar descobrir, no decorrer do filme, como é o desenlace final. Invariavelmente, erra-se.
O próprio Hitchcock é um completo enigma. Ao mesmo tempo que é um dos sujeitos mais biografados da história do cinema, também é um daqueles casos em quase ninguém concorda com nada. Ele é retratado como sendo desde um mero trabalhador da indústria que repetia a mesma fórmula de sucesso sempre, ou até mesmo como sendo um verdadeiro gênio inventivo que criava obras de indiscutível valor estético e cinematográfico.
Seja como for a carreira de Hitchcock iniciou-se ainda no cinema mudo em 1925 com um filme chamado The Pleasure Garden (O Jardim dos Prazeres). Nunca vi, mas com esse título e saído da complicada cabeça do mestre, dá até vontade, apesar dos comentários dizerem que o filme é mediocre e que não foi concluído. Note-se, como dado importante e contraditório, o fato desse criador oriundo do cinema mudo ser um dos diretores que melhor utilizou a música como elemento narrativo na sétima arte. Alfred filmou mudo mais 09 filmes até 1929, quando encerrou essa "fase" com The Manxman (O Ilhéu). Seu primeiro filme sonoro é Blackmail (Chantagem e Confissão) de 1929, ainda filmaria na Inglaterra mais 17 filmes, até 1949, ano de lançamento de Under Capricorn (Sob o Signo de Capricórnio), perfazendo 26 filmes ingleses.
Mesmo antes de ir para os Estados Unidos a, digamos assim, identidade estética de Hitchcock já estava definida, aliás desde o início o crime e o mistério aparecem como elementos principais de seus enredos, sendo seu terceiro filme The Lodger (1926) uma estória envolvendo ninguém menos que Jack, O Estripador.
Em 1949, Hitchcock atirriza em Hollywood já dando as cartas, uma vez que Rebeca (Rebeca, A mulher inesquecível) de 1940 fora agraciado com a estatueta da academia. Produziu freneticamente, justificando, muitas vezes a diferença na qualidade dos filmes. Mesmo assim, fez filmes brilhantes como Strangers on a Train (Pacto Sinistro) em 1951, Dial M for Murder (Disque M Para Matar) e Rear Window (Janela Indiscreta) em 1954, neste último não tivesse feito mais nada, a presença de Grace Kelly já valeria o ingresso. Mas teve mais, To Catch a Thief (Ladrão de Casaca), em 1955, The Trouble with Harry (O Terceiro Tiro), em 1956, The Man Who Knew Too Much (O Homem que Sabia Demais), em 1956, Vertigo (Um Corpo Que Cai), em 1958, North by Northwest (Intriga Internacional), em 1959, Psycho (Psicose), em 1960, The Birds (Os Pássaros), em 1963, Marnie (Marnie, Confissões de uma Ladra), em 1964, isso tudo só para citar os que eu acho melhores. O sujeito trabalhava muito e trabalhou até 1976, rodando um total de 44 filmes e ainda fez uma série de tv.
Não é exagero em dizer que Hitchcock criou o gênero suspense e desenvolveu seus principais elementos narrativos. O suspense à modo Hitchcock tem ação, mas não essa correria que estamos acostumados, pode-se dizer, por exemplo, que as sequências formadas por cortes rápidos, câmera em movimento e bruscos constrates estão presentes da obra de Hitchcock, como em Os Pássaros, mas não é nada como as sequências do mesmo tipo apresentadas em O Homem Aranha de Sam Raimi. Os elementos clássicos estão presentes e muito bem representados no filme do herói aracnídeo, mas em Os Pássaros esses elementos são apresentados em sua pureza, sem que Hitchcock os trate com reverência, deixando-os fluir com naturalidade. Com o susto é mesma coisa, o enquadramento das sequências, com o espectador em posição privilegiada, a música, como elemento pautador da tensão, tudo isso é Hitchcock, mas quando vemos isso sendo empregado em muitos filmes modernos temos a impressão de estar diante de algo gasto, repetitivo, exaurido... em Psicose, por exemplo, o timing dos sustos é perfeito, somos conduzidos por uma escada, de degrau em degrau e, de repente, ele nos solta, mas não como agora, quando a cada passo, pressentimos o tombo. Tanto é assim, que se pode ver o filme seguidas vezes, até uma atrás da outra, sem que os momentos tensos fiquem monótonos. O emprego da música também é magistral em Psicose e Um Corpo que Cai, o mestre dá aulas sobre como trilhar um filme.
O impacto da obra de Hitchcock na produção cinematográfica moderna é muito difícil de mensurar, mas basta dizer que o inglês deixou seguidores confessos como Brian de Palma que com o seu Dressed to kill (Vestida para Matar), de 1980, executa uma homenagem despudorada a Hitchcock.
A verdadeira medida da durabilidade da tradição iniciada por Hitchcock é a enxurrada de filmes de suspense que inunda os cinemas todos anos desde que David Fincher, em 1995, nos apresentou Seven (Os Sete Crimes Capitais) e aqueles que não conhecem a obra de Hitchcock ou torcem o nariz para filmes antigos passaram a se deleitar com a última novidade de Manoj Nelliyattu Shyamalan, ou simplesmente Night, sem dúvida um herdeiro que não relega o mestre, tendo até a mania de aparecer nos filmes.
O indiano maluco compôs, por enquanto, uma exótica e coerente quadrilogia que iniciou-se em The Sixth Sense (O sexto Sentido), de 1999, onde ressucitou Bruce Willis, até então apenas marido da Demi Moore e o Rato de A Gata e o Rato, lembra? Além desse empurrão na carreira do Rato, o filme é uma aula de cinema, onde o diretor mostra como a manipulação dos elementos da narrativa cinematográfica pode levar o espectador à diferentes experiências e conclusões, sem dúvida um tributo a Hitchcock. Depois, foi a vez de Willis agradecer fazendo Unbreakable (Corpo Fechado) em 2000, nesse o senhor da Noite nos brinda com uma gostosa e singela dedicatória ao mundo dos quadrinhos de superheróis, pena que o título em português afugente alguns espectadores, pois ficou parecendo coisa de macumba, mas os elementos do suspense e dos superheróis estão todos lá. Sobre esse ponto, não tenho dúvida em dizer que, mesmo com a avalanche de filmes baseados em quadrinhos que são lançados atualmente, Corpo Fechado ainda é o melhor, não sei como ninguém ainda não pensou em adapta-lo para a banda desenhada. Mas Night não parou e, em 2002 trouxe Signs (Sinais), uma gostosa divagação sobre extra-terrestres e sinais deixados nas plantações do mundo inteiro. Em 2004, foi a vez de The Village (A Vila), mais uma boa dose de suspense e o manifesto de Night em repúdio a civilização urbano-industrial, que não produz laços verdadeiramente comunitários entre as pessoas. Antes dessa quadrilogia, Night fez mais dois filmes pouco conhecidos do público brasileiro, que são Praying with anger (sem título em português), de 1992 e, Wide Awake (Olhos Abertos), de 1998.
Não pensem que Night é apenas um plagiador de Hitchcock. Não, os personagens do cara tem uma força interior, uma complexidade que é minuciosamente dissecada na tela e entregue ao expectador, nos fazendo cúmplices da trama. Essa é a grande marca de Night.
Agora, é só passar na locadora e pegar os filmes de Night e Hit.

20 de set. de 2005

Polis (Imagens e Palavras)

Imagens e Palavras


Àqueles que ainda acreditam em direita e esquerda, em mocinhos e bandidos, em exploradores e explorados e em tudo mais que maniqueísta e pobre:
O MURO DE BERLIM CAIU!
Há aqueles que também acham que o marxismo acabou. Acabou?
Viva o Marxismo!
Benvindos ao século XXI.

17 de set. de 2005

A televisão me deixou burro de mais (Colorado)

Móvel de lindo estilo moderno de madeira de lei, vocês não imaginam como eu detestava essas palavras. Carregar este lindo móvel de madeira de lei exigia sacríficios indescritíveis. A única coisa que se aproxima do sentimento de desespero causado pela remoção deste lindo móvel de madeira de lei, são os bancos de legítimo couro da Viação Cometa que nos acompanhavam por viagens de seis horas (de Belo Horizonte para o Rio de Janeiro e de volta em dias de verão escaldante num ônibus sem ar-condicionado). Mas, esse maravilhoso móvel de madeira de lei que poderia vir nas cores marfim, embuia ou caviuna e era uma das principais características das 95% nacionais tvs Colorado. O nosso, por exemplo, era em embuia.
Aquilo sim é que era televisão. Tinha o exclusivo vidro Triplex e máscara de plástico Ray-Ban (algumas pessoas mais abastadas colocavam na frente desse moderno monitor um anteparo de plástico colorido, certamente o início da invasão dos produtos made in paraguay, que criava a verdadeira sensação da tv colorida) possibilitando visão reconfortante e melhor contraste, com som frontal emitido por alto falante especial de alta qualidade, balanceado acusticamente e, é claro, o maravilhoso controle automático de brilho, comandado por célula fotoelétrica que regula automáticamente o brilho sempre que é alterada a iluminação do ambiente.
Qual o plasma moderno que se compara a isso?
Tudo isso era acompanhado por um seletor de canais de alto rendimento equipado com a nova válvula frame grid que garante excelente recepção em zonas distantes ou de sinal fraco. É claro que quando esse maravilhoso engenho estragou, eu tive que improvisar um alicate para mudar de canais (ainda bem que só tinhamos cinco canais para escolher) e como a ferramenta não contava com o moderno sistema de isolamento elétrico, também conhecido como capa de borracha, só era possível trocar de canais com a tv desligada, com ela ligada o corriqueiro ato de zapear tornava-se um esporte radical. Entretanto, isso não foi de todo ruim, pois me deu controle total sobre o que minha família assistia. O único problema é que, de madrugada, enquanto eu via o programa do Goulart de Andrade, que sempre passava strip tease das gordas garotas de programa da boca do lixo paulistana. Eventualmente, eu precisava mudar de canal rapidamente e o sistema alicate nem sempre era rápido o suficiente, sem falar que esse nunca foi um sistema silencioso, mesmo quando novo, de modo que essas aventuras noturnas só foram possíveis porque contavam com o sono pensado dos meus familiares.
Foi nesse moderno e maravilhoso tv, comprado de segunda mão e preto e branco que eu gastei muito do tempo da minha infância em maravilhosos momentos inesquecíveis como com o Spectreman que eu já contei.

15 de set. de 2005

No Escurinho do Cinema Especial (Indo onde nenhum homem jamais esteve)

A industria cinematográfica americana é um celeiro. Há constante renovação, o que não significa que não haja o reconhecimento também constante por aqueles que ajudaram a construir a indústria e que hoje fazem parte da história dela. Isso certamente dimenciona a comoção causada pela perda de Robert Wise.
O que é digno de Robert Wise? Estou navegando na rede, entrei para postar uns e-mails e me deparo com a notícia da morte de Robert Wise, invariavelmente acompanhada de seu complemento mais repetitivo, diretor de A Noviça Rebelde. O que, apesar de ser muito, não é tudo.
Tenho que confessar que não era muito chegado a musicais e que não gostei da primeira vez que vi A Noviça Rebelde. Chamava esses filmes de filme de cantoria e não entedia porque era necessário acrescentar a música à narrativa. Wise foi uma das pessoas que contribui de forma decisiva para mudar minha mentalidade. Vendo os filmes de Wise aprendi a reconher a música como elemento dramático.
Mas não foi só a música que foi transformadas pelas mãos de Wise. Quando eu descobri que ele fora o diretor de Jornada nas Estrelas - O Filme, fiquei pasmo, atônito, nessa época ainda não me preocupava em ler os créditos dos filmes, ia ao cinema pela diversão, não que ler os créditos não é divertido, mas naquela época, os fins dos anos 70 não era. Então, também foi Wise, com sua versatilidade, que tornou os crédidos importantes.
West Side History ou Amor Sublime Amor, pôxa parece arrogância barata, mas eu nunca lembro o título deste filme em português. Lembrei agora porque está escrito em tudo quanto é site, mas daqui a alguns dias só lembrarei de West Side History que é a versão Wise para Romeu e Julieta na New York dos anos 50. Preciso lembra-los que também não gostava de Shakespeare?
O Dia Em Que a Terra Parou. Esse título não foi tirado da música do Raul não. Foi o contrário, uma vez que o título em inglês é The Day The Earth Stood Still. Simplesmente, clássico. Esse eu assisti depois que já gostava de ficção científica.
Robert Wise era um artista, mas não do tipo excêntrico, do tipo performático, não. Wise dominava os elementos de sua arte e os mesclava com rara maestria. A música, a fotografia, a montagem (ou edição, como dizem os modernos), o roteiro, enfim tudo era medido e pesado, harmonizado em suas proporções muito de coisas díspares. Como na centa em que ele dá uma aula de suspense através de elementos infantis e ingênuos, como aquela menina que olha estarrecida os acontecimentos do parque em O Dia Em Que a Terra Parou. Há um pânico, terror mesmo e a espinha do espectador é um carrocel de emoções, porém Wise insiste em manter nos olhos inocentes da garotinha.
Demolidor de mitos e consolidador de dinastias, Wise recuperou com A Noviça Rebelde, a Fox Film da catástrofe chamada Cleópatra e reacendeu a chama do mais fértil da tv americana com o seu Star Trek - The Movie. Foi o cuidado e o carinho de Wise como os detalhes mínimos que fizeram de Julie Andrews e sua simplicidade algo mais que suntuosidade e glamour de Liz Talor e ele colocou também todos os elementos clássicos em sua Enterprise: o capitão impetuoso, o frio Spoc, o encrenqueiro Dr. McCoy, todos lá abrindo caminhos para novas jornadas...
Agora Wise ruma para onde nenhum homem jamais esteve.
Vá Wise, sua obra continuará inspirando os amantes do cinema.

Obtuário


Gente, este post é só para não deixar passar em branco a grande perda que é a morte de Robert Wise, um dos últimos grandes diretores do cinema americano.
Amanhã postarei algo digno.

11 de set. de 2005

No Escurinho do Cinema (Lawrence da Arábia)

Os Sete Pilares da Sabedoria

Um dos filmes que eu sempre quis assistir era Lawrence da Arábia (David Lean / EUA / 1962). Não sei se era o título ou as imagens do filme nas chamadas da televisão. A verdade é que eu não tinha a menor idéia sobre do que tratava o filme e acho até que, no fundo, eu pensava que era apenas um filme de aventura e isso era o que me atraia.
Tentei assistir ao filme algumas vezes, mas abandonava, dormia ou coisa pior... Não era o grande e empolgante filme de aventura que eu queria ver. Tinha lá seus momentos de aventura, mas na maior parte de seus 222 minutos (isso mesmo, 222 minutos!) era uma seqüência de conversas em gabinetes e tendas: política e política, enormes planos-seqüência panorâmicos das paisagens do deserto, o modo de organização da narrativa (isso é capítulo à parte) também não ajudava, era tudo muito confuso e cansativo. Mas, eu precisava ver esse filme.
Algo deveria me preparar para ver o filme. Por que aquele era um filme importante? As vezes, eu tinha a impressão que muitas das pessoas que achavam aquele filme importante não tinha a menor idéia do se tratava, acho até que muitos o tomavam por um filme de aventura mesmo e como se conformavam com pouco, ignoravam completamente uns oitenta por cento do filme e assistiam apenas às batalhas e brigas, havia também aqueles itelectuais (ou pseudointelectuais) que mencionavam o filme apenas para parecerem mais cultos, mais distantes desse mundo terreno, onde socos são apenas socos e balas são apenas balas, sem segundas interpretações. Você pode até não acreditar, mas há gente desse tipo.
Passei a utilizar minha técnica predileta que é arrudiar (ficar em volta) aquilo que me interessa. Isso funciona muito bem com as coisas, mas é pouco eficiente com as pessoas. A técnica é a seguinte, aprender tudo o que puder sobre o seu objeto do desejo. Isso levado ao pé da letra me obrigaria a fazer um curso completo de ginecologia, mas não mudemos de assunto.
Quem foi Thomas Edward Lawrence, T. E. Lawrence ou simplesmente, o Lawrence da arábia do filme? Um sujeito complexo, para dizer o mínimo, que escreveu uma auto-biografia, Os Sete Pilares do Conhecimento. Auto-biografia é um jeito simplista de definir o tal livro. Oh livrinho difícil. É um diário, misturado com observações geniais sobre arte, arqueologia, filosofia, cultura oriental (arábe), enfim, o livro faz jus ao título.
Esse foi um dos empreendimentos que mais me dissuadiu quanto a eficiência da minha técnica de abordar meus objetos de desejo.
Depois de algum tempo e algumas pesquisas (o que significa sola de sapato, porque ainda não havia Google) passei a ficar curioso. Parecia-me uma grande empreitada fazer um filme sobre esse sujeito e tudo que ele abordava no livro: há coisas que são de uma complexidade e que atacam certos fundamentos de tudo aquilo que aprendemos e acreditamos ser correto. Por exemplo, eu acreditava que os arábes eram um povo selvagem, nunca me passara pela cabeça que os povos do deserto constituiam uma civilização, tão antiga, rica e complexa quanto a nossa e que, ela própria também não nos via com melhores olhos. Aquele homem branco e nobre inglês travestido de árabe, desesperadamente lutando para ser aceito como um igual entre os beduinos, visto com profundo despreso por eles. Tudo isso colocou os árabes noutro patamar e mudou minha visão de mundo.
O Lawrence não era só o transformista, o homem que vira bicho (sim, porque aos meus olhos, ele se tornara um selvagem do deserto), Lawrence é o político, o homem à altura da tarefa, um grande e verdadeiro intelectual, um homem de leis e de livros, mas também de ação. Lawrence negociou os tratados e acordos que puseram fim ao Império Otomano e armaram o palco para as primeira e segunda guerras mundiais. Há controvércias e um certo exagero em dizer isso, mas, mesmo que ele não tenha feito tudo sozinho, pode-se dizer que, no mínimo, Lawrence foi de suma importância na definição das fronteiras atuais do oriente médio (corre a lenda de que ele proprio traçou os mapas em seu gabinete).
Sei que muita gente pode dizer que isso significa que o tal tomou parte na fabricação de uma das maiores cicratizes abertas da política internacional do século XX e talvez do século XXI, mas quem faz esse tipo de crítica não tem idéia do ponto de partida do homem, das condições a partir das quais ele criou um modus vivendi precário é verdade, mas estável, que tem durado um século. Agora que os EUA estão in loco é que o fantasma se encarna, há tanto por ser feito que talvez a estada americana no Iraque se prolongue por mais tempo que o desejado pelos yankes em Washington.
Quando passei a admirar esse homem, passei a ama-lo e aí estava preparado para ver o filme, nada mais poderia me chatear, o longo enredo recheado de reuniões em gabinetes e tentas não seria mais im pedimento. Nem a organização cronológica confusa da narrativa no filme que começa mostrando a morte de Lawrece, para depois contar o seu porque (sei que essas coisas são comuns hoje depois de Pup Fiction e O Paciente Inglês, mas imagine essa ousadia narrativa na década de 1960), seria um impeditivo.
Por puro acaso, uma versão do diretor entrou em cartaz aqui em Belo Horizonte, no Cine Roxy, bem após eu ter concluído meu arrudeamento e eu tive a oportunidade de ver o filme no cinema.
Aqueles planos infinitos na telona. Olha, não dá para descrever, esse filme é um daqueles que justificam o cinema como uma forma de arte, é impossível traduzir apenas em palavras o que se vê, sem que se ampute algo. O elenco é magnífico Peter O'Toole, Alec Guinness, Anthony Quinn e Omar Sharif parecem tomados por espíritos alheios.
Minha cena predileta é aquela em que se sugere um provável abuso sexual sofrido por Lawrence após uma briga com um bando de árabes. Não vou dizer se isso aconteceu ou não de acordo com Os Sete Pilares da Sabedoria, já que o filme não é claro a esse respeito, mesmo porque agora quem assistir ao filme vai querer ler o livro e eu não quero tirar esse prazer de vocês, mas, do ponto de vista dramático, a cena é magnífica. Outra cena marcante é a da chegada de Lawrence a Suez, quando uma chaminé de navio surge por trás de uma duna, como eu disse é indescritível.
Livro e filme se sustentam por si mesmos, assim como penso eu o personagem histórico deve ter tido outra identidade jamais completamente traduzida, mas é bom ler um e ver outro para se aproximar mais desse homem sem par.
Hoje é 11 de setembro de 2005 e lembrar de Lawrence nos remete a muitas coisas de nosso passado recente.

10 de set. de 2005

Polis


Metropolis

Metropolis é um filme de estética expressionista do alemão Fritz Lang (1890-1976) que vi no Savassi Cine Clube, lá na Levindo Lopes. Cineminha pequeno, acanhado e no qual os espectadores entravam passando pela frente da tela e quando isso acontecia no meio do filme, já viu (não sei se reformaram depois que virou Unibanco), mas os pseudo intelectuais e universitários de BH adoravam o lugar e como eu sou um deles (na época era universitário, agora minha falta de modestia e cabedal acadêmico me coloca no outro grupo), lá ia eu. Foi o único filme que eu vi lá.
O enredo do filme é aquele que todos sabem: cidade futurista (século XXI), governada autocraticamente por empresário ganancioso, onde os abastados vivem num jardim suspenso idílico e os trabalhadores vivem e trabalham em catacumbas terríveis.
Tem gente que vê nisso uma crítica política à miséria da luta de classes na sociedade capitalista ou, sei lá, uma exaltação da superioridade de alguns frente aos outros, eu vejo outras coisas, muitas outras coisas (a gente já tratou disso no artigo anterior sobre filosofia política, lembram?).
O Século XXI chegou e as cidades não viraram a Metropolis de Fritz Lang. Ainda bem que a ficção não é aquilo que alguns exigem dela (porque tem gente que acha que a boa ficção é a que antecipa o futuro). Entretanto, há algum acerto antecipativo em Metropolis, mas não de uma natureza óbvia, é algo mais simbólico e, aí parabéns para o autor, afinal o filme é expressionista.
Há pouco pensava e conversava sobre isso (não sobre o filme, mas sobre os problemas de Belo Horizonte): normalmente, as pessoas percebem os problemas urbanos como sendo de trânsito e transporte, violência, falta de habitação, etc. Inegavelmente, problemas que saltam os olhos. Ninguém se pergunta pelo que está abaixo, longe dos olhos, no subterrâneo (aqueles trabalhadores do Lang). Por exemplo, fala-se que as ruas são estreitas, que a circulação é difícil, mas ninguém pensa no que acontece com a água do banho ou da privada.
Sei que essa não é uma reflexão original ou agradável, mas deve ser feita, por que a gente esquece mesmo dessas coisas, não por sermos abastados capitalistas sem escrúpulos (ainda há pessoas abastadas, mas de coração puro), mas simplesmente por que somos humanos e não pensamos nos problemas que não vemos (digamos que isso é uma limitação sensorial). Apenas imaginem, se as ruas estão congestionadas e a gente se preocupa com elas o tempo todo, abaixo delas, naquele espaço sobre o qual não costumamos pensar...
Por que Metropolis foi destruída?

Nem Morto Mesmo

Nota aos leitores
Quero fazer um esclarecimento e uma confissão aos meus leitores .
Estou achando esse blog um pouco confuso por causa dos títulos dos post. Bom, agora o esclarecimento. No primeiro título, vem expresso o que estou chamando de coluna ou série, que uma espécie de separação dos post por tema (acompanha-se também uma chamada entre parênteses, como no caso do post anterior, que indica uma série dentro da série, o que quer dizer que vocês me verão mais vezes tratando do assunto), e no corpo do post propriamente há um título que é o título do artigo.
Esclarecimento feito, boa leitura.

9 de set. de 2005

A televisão me deixou burro de mais (Hanna-Barbera 1)

Hanna-Barbera e Minha Educação Sentimental

Sou da geração babá eletrônica, fui criado pela televisão, pelo Bozo, pela Xuxa e algumas coisas muito boas como o Sítio do Pica-pau Amarelo do Geraldo Casé. Agora o que alguém como eu não pode deixar de mencionar é a Hanna-Barbera. Pôxa vida! Não dá para esquecer o Zé Colmeia (Yogi Bear dos gringos) e o Catatau, o Pepe Legal (Quick Draw McGraw) e sua turma: El Kabong e Babalu, "E não se esqueça disso...", não esqueci mesmo, Chuvisco, Plic e Ploc, Tutubarão, Dynamite, o Bionicão e o Falcão Azul. Não dá nem para falar, a lista é enorme, ficava aqui umas duas horas.

Era tudo muito bom. Quando os personagens corriam ou passevam de carro, passeavam repetidas vezes pelo mesmo lugar (o cenário era o mesmo e ficava se repetindo), pior do que isso, só aqueles filmes das décadas de 50, 60 e 70 que quando os caras estavam no carro ou no trem era sobreposta uma imagem em movimento na janela do carro ou do trem. Da onde tiravam essas idéias e pensavam realmente que alguém era enganado por esses truques? Os cenários dos Flintstones eram pintados com giz de cêra, desses que a gente usa no jardim de infância e no encerramento, quando o Fred voltava para a cama e passava pela Wilma deitada (em camas separadas!), ela não tinha boca, os caras esqueceram de desenhar o boca dela (não leiam em voz alta que é cacofonia), custava trocar um celulóide. Foram não sei quantos zilhões de epsódios e os caras não corrigiram o erro por pura pão-duragem.
À medida em que fui crescendo, meu gosto foi mudando (ainda bem!) no começo eram as correrias do Chuvisco, Plic e Ploc, do Wally Gator, do Pepe Legal, Os Apuros de Penélope (tem muita menina que se chama Penélope por causa dela, sabia?)... Chega! É muita gente para citar.
Quando me dei conta, já gostava de aventura e tinha o Jonny Quest. Já repararam que nos epsódios das temporadas clássicas (as primeiras) do Jonny Quest não tem menina e elas não fazem a menor falta? Os meninos que assistiam também tinham 10, 11 ou 12 anos e para eles: meninas são argh!!! Esse Jonny queria ser modernoso, um jatinho cheio de manha e tudo mais high tech. E o computador do Dr. Banton? Os caras não tinham a menor idéia de que computador era esse barato que nós temos hoje. Era modernoso mais padecia do mesmo mal dos outros: alguns movimentos dos personagens foram reaproveitados até encher o saco, pegavam a mesma cara do sujeito e redesenhavam a boca e os olhos cem mil vezes diferentes, só para não desperdiçar o rosto e o tronco, as roupas também, principalmente as roupas... O Dr. Benton Quest usava um jaleco branco (guarda-pó de mineiros) que nunca foi lavado, assim como as roupas dos outros personagens, só de vez em quando o Jonny aparecia usando um short ou o Roger Race Bannon trocava de roupa e punha um kimono para lutar judô. Esses caras eram uns porcos.
Quando eu já devia estar abandonando os desenhos, pois o precoce desenvolvimento das glândulas mamarias das meninas da escola começava a ofuscar as cores da televisão, aí foi a vez das tramas adultas, dos desenhos família: Flintistones e Jetsons. Que ideiazinha cretina, uma família do futuro e outra do passado. Eh criatividade!

Além da falta de higiene pessoal (as roupas sujas, no caso dos Flintistones eram peles de animais. Devia feder...), das tranqueiras domésticas modernosas e dos defeitos especiais que eram comuns a toda a família Hanna-Barbera, desta vez as tramas eram diferentes. Nada de corre-corre e kabongadas na cabeça ou aventuras e cientistas malucos. Os Flintistones e os Jetsons tratavam de moral, não era nada como os desenhos do He-Man que quanto terminava vinha a lição de moral do dia. Não, os Flintistones contavam uma história, nos divertiam e sem saber a gente acabava virando gente. Gente cheia de defeitos como o Fred (egoísta....), mas de bom coração. Lembro-me de um epsódio em que Barney salva um bebê de um acidente (o clássico carrinho desgovernado descendo ladeira abaixo) e precisa se ausentar para recuperar o balão da criança. Fred, que fica tomando conta do pimpolho, não titubeia quando vê a imprensa, torna-se o herói. Em meio a fama e o prestígio, passa a se mortificar por dentro diante da humildade de Barney (um amigo de verdade) e acaba confessando tudo.
Amizadade, respeito, honestidade, companherismo e um sem número de outros valores eu aprendi com os Flintistones. O único problema é que o Fred não se emendava, no epsódio seguinte, lá ia ele de novo... Como nós, igualzinho a eu e você...
Essa Hanna-Barbera!!!!!
E eu ainda não falei dos cachorros falantes.